O caçador de pipas

Sempre fui um tarado por leitura, de jornais, quadrinhos, artigos, livros técnicos e não técnicos. Claro que, dependendo do período em que vivo o foco é dado em diferentes tipos de leitura.

Lembro que quando criança “mastiguei” diversas vezes um álbum gigante da Disney, isso foi há cerca de 25 anos e lembro dos personagens e da capa preta como se fosse hoje. Incrível. Lembro ainda que pessoas ficaram maravilhadas por me ver, aos cinco anos de idade, ler jornal até virado de cabeça pra baixo (o jornal).

O tempo passou e veio a literatura técnica, da faculdade. Lembro que lia com prazer, por estar adquirindo conhecimento de uma área que eu gosto e não somente para me dar bem em avaliações.

E jornal? Ah, o jornal, sempre gostei de ler, embora não colocasse sempre em prática a leitura. Mas sempre me incomodou muito o fato de não estar por dentro das coisas, de não ter papo sadio, de ficar boiando em rodas de conversa. Porém, há tempos não lia livros que não estivessem relacionados à minha graduação e há alguns meses decidi mudar isso. Afinal, para algumas coisas nunca é tarde.

Depois de “Elogio à Loucura”, terminei ontem de ler “O Caçador de Pipas”, de Khaled Hosseini. Este último livro é famoso, a maioria das pessoas já ouviu falar e tem até filme, inclusive. Logo, não farei uma resenha do livro, o Google pode ajudar nisso. Falarei sobre o que o livro me fez viajar, por onde andei e voei enquanto lia a obra.

Amir, personagem principal do livro mostra como podemos ser pessoas más, mesmo não querendo ser. Como podemos maltratar aqueles que nos amam ou nos servem, pelos simples fato de porventura termos melhores condições sociais ou mais conhecimento ou melhor educação, o que não significa, de longe, ter mais sabedoria. Quem aqui já não tomou um tapa de luva de alguém que julgamos ser “burro”?

A covardia, covardia que às vezes nos paralisa, nos congela diante de uma situação contra a qual temos força ou meios de lutar, que nos deixa envergonhados de nós mesmos, também é relatada no livro. Há exemplos ainda de fidelidade entre amigos, na maioria das vezes mostrada por Hassan, servo amigo de Amir.

Um dos pontos mais fortes do livro me fez pensar sobre como tentamos acobertar nossos erros com boas ações a terceiros, como se um bem apagasse o mal e como fugimos daqueles que foram vítimas de nossos erros imaginando que a distância apagasse o mal que fizemos a eles. Salvo aqueles que naturalmente são maus, as pessoas boas não se esquecem. Lembram da merda que fizeram.

By aNantaB

Não adianta ir pra longe...

Encontrei, ainda, uma passagem que fez firmar em mim ainda mais aquilo que sempre digo quando tenho oportunidade, quando o assunto permite: “AQUI SE FAZ, AQUI SE PAGA” e a trama do livro fez com que aliado a isso Amir tivesse outra surpresa que lhe fez render um sofrimento que lhe deixou marcas, sem metáforas.

Por fim, e também válido, percebi no livro que devemos ser nós mesmos e fugir do senso comum que diz que temos que nos moldar a alguém para sermos aceitos, uma hora chutamos o balde e isso não pode ser bom para todos.

Ah, não poderia deixar de citar que há de se valorizar os sonhos das crianças. Alguns bons profissionais já despertam em si mesmos os talentos e dons quando ainda são crianças. Mágoas e felicidades adquiridas na infância podem para sempre ser carregadas no lombo de uma pessoa.

Foi-se, então, “O caçador de pipas” e já veio, na fila, “Aonde a gente vai, papai?” de Jean-Louis Fournier.

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4 Comentários para “O caçador de pipas”

  1. Paola says:

    esse livro é lindo mesmo! chorei taaaaaaaaaaaaaaanto =(

  2. Helena says:

    Noga, este livro é realmente muito bom! Nos leva a um contexto de vida e costumes imensamente diferentes dos nossos… Deu até vontade de ler de novo…

    Se gostou deste, vai gostar também de “A cidade do sol”, do mesmo autor! Ponha na para suas leituras!!

  3. Nogarol says:

    Polinha, eu me amarrei. Muito mesmo. Não cheguei a chorar com esse livro, mas quaaase! rs

  4. Nogarol says:

    Helena, já me falaram do “A cidade do sol” e como você foi mais uma pessoa que me falou sobre ele, vai ser o próximo da lista! Sinal de que é bom! 🙂 O interessante é que, além de “nos levar a um contexto de vida e costumes imensamente diferentes dos nossos”, a obra nos leva a comparar os nossos costumes aos deles e perceber que em algumas coisas poderíamos ser melhores.

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